A mente e a depressão - Bate Papo - 03/07/2017

03/07/2017

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A mente e a depressão – Bate Papo – 03/07/2017

Conversaremos com a Dra Ivete Ferraz, que é médica psiquiatra, sobre a mente e a depressão. Qual a origem da depressão? Quais os sintomas? Quais são os mitos e as verdades em torno deste tema tão complexo e atual?

O transtorno depressivo de diagnóstico recente, apenas 1 século. Antigamente era visto como uma fraqueza de caráter.

Qual é o sinal de alerta para a depressão?

Estar deprimido nem sempre significa tristeza. Dois são os critérios maiores para o diagnóstico da depressão: a tristeza e a anedonia – a falta de vontade de fazer as coisas, um distúrbio na volição, na vontade de fazer as coisas. Este segundo sintoma faz com que muitas pessoas sofram julgamentos: “é um preguiçoso”, “não quer nada com nada”, etc. Porém, muitas vezes trata-se de um distúrbio, uma patologia que precisa ser tratada.

A tristeza está ligada a um sentimento, a um olhar negativo para com as coisas do mundo.

Quando que a tristeza deixa de ser normal para se tornar patológica?

Sentir é algo natural. Sentir-se triste, por exemplo, quando passa por uma situação de luto é algo normal. Por outro lado, na depressão, a tristeza pode aparecer sem que haja um gatilho, e tudo o que a pessoa vê é visto de forma negativa, além disso, o sentimento de menos valia de desprezo do próprio potencial é sempre presente.

Essa reação de pessimismo, faz com que na maioria das vezes, essa pessoa “triste” acabe sendo isolada, rechaçada.

Um fato negativo, como a perda do emprego, é que desencadeia uma depressão, ou não necessariamente?

Não necessariamente. Pode haver um gatilho circunstancial, mas isso não é regra para o aparecimento do quadro depressivo.

A depressão é multifatorial. Depende da existência de fatores biológicos, fatores psíquicos e fatores sociais.

Fatores biológicos: aqueles, por exemplo, ligados à genética – pré disposição ao desenvolvimento da depressão. Quando ocorre um gatilho, um enfrentamento, aí pode surgir a depressão.

No caso dos jovens, por exemplo, que têm uma forma mais leve de ver a vida, a depressão não é apenas fruto de um trauma ou de um gatilho, mas resultado de um conjunto de fatores.

No caso dos jovens, onde é comum haver distúrbios comportamentais por influência da idade, pode haver paralelamente um quadro depressivo? Como diagnosticar isso?

Pode sim. Inclusive, o adolescente, resolve o turbilhão de novidades da sua vida em quatro nichos: isolado – a necessidade de um tempo sozinho, com os adultos – na presença de mais velhos; com os pares –  quando permanece junto daqueles que são iguais; e com aqueles que cedem informações – processo chamado de poda neuronal.

Hoje em dia acontece um fenômeno do jovem no quarto, ou seja, elo gosto que ele tem de conquistar novos conhecimentos e de adquirir novas informações, acaba se trancando no mundo digital, na internet, o que dificulta o diagnóstico de um quadro depressivo dado o estágio avançado de isolamento em que ele se encontra.

Quais as dicas para diagnosticar a depressão nos jovens?

Estar atento aos principais sintomas: tristeza e anedonia. Porém, há outros sintomas menores, como aumento ou perda de peso, a hipersonia ou a insonia, irritabilidade, choro fácil (labilidade emocional), sensibilidade.

Os idosos estão sujeitos à depressão?

Sim. Aliás, o transtorno depressivo no idoso é difícil de ser diagnosticado. Os fatores sociais são muito influentes. Situações de viuvez, a falta de atividade laboral, o distanciamento da tecnologia, tudo isso pode afetá-lo. Além disso, há o risco de suicídio bem latente.

Na meia idade, a depressão pode acontecer?

Sim. Aliás, a meia idade, entre 45 e 55 anos há vários indícios de depressão.

Qual o tratamento para a depressão?

O tratamento também é multifatorial. Pode ser medicamentoso, geralmente acompanhado de uma psicoterapia. Pode ser orientado socialmente, enfim, é uma multi abordagem.

Como age o remédio da depressão?

Embora as pessoas tem medo de ingerir medicamentos, os anti depressivos não causam dependência.

A medicação vai até o sistema nervoso central e age ali melhorando as sinapses e produzindo uma melhora dos neurotransmissores, restabelecendo o sistema.

A pessoa pode parar de tomar o remédio da depressão?

Recaídas e a síndrome da retirada são os sintomas que aparecem em que para de tomar o remédio repentinamente, sem orientação médica, apenas por vontade própria. Os danos são imensos para quem age assim.

 

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