Sex18052012

Câmara volta ao trabalho sem saber quem comandará a Casa

Depois de um mês e meio de recesso, a Câmara Municipal de Curitiba voltou ontem ao trabalho ainda sem saber qual o futuro do comando da Casa em 2012, ano de eleições municipais. João Cláudio Derosso (PSDB), que preside o Legislativo da Capital desde 1997, e se licenciou do cargo em novembro passado por 90 dias acuado por denúncias de irregularidades nos contratos de publicidade da Casa, compareceu à primeira sessão do ano, mas não quis dizer se volta ou não ao cargo no próximo dia 21, quando termina sua licença. E os demais integrantes da cúpula da Câmara, aliados do tucano, também disseram não saber o que acontecerá. 

A exemplo do que vem fazendo desde o surgimento das denúncias, Derosso ontem mais uma vez não quis saber de muita conversa com a imprensa. “Não sei, vamos esperar o dia 20” , limitou-se a responder rapidamente, quando abordado ao entrar apressado no auditório da Câmara. O tucano se afastou do cargo depois que o Ministério Público o denunciou à Justiça por improbidade administrativa, pela contratação da Oficina da Notícia, empresa de propriedade de sua esposa, a jornalista Cláudia Queiroz, para serviços de publicidade por R$ 5,2 milhões. Na ação, os promotores pediram ainda o bloqueio dos bens de Derosso, sua esposa e outros quatro funcionários da comissão de Licitação da Casa, num valor total de R$ 6 milhões. 

Na época, o MP pediu ainda, em caráter liminar, o afastamento do tucano da presidência do Legislativo municipal, para impedir eventual intimidação de testemunhas e destruição de provas. Como Derosso se licenciou por conta própria logo depois, a Justiça acabou decidindo não apreciar o pedido de afastamento feito pelos promotores.

Desde então, porém, o tucano foi triplamente “inocentado” por seus colegas. Dois processos no Conselho de Ética contra ele foram arquivados sem qualquer resultado prático, e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta para investigar o caso isentou o tucano alegando falta de provas, apesar de admitir a existência de irregularidades nos contratos. Derosso, por sua vez, atribuiu todas as acusações a um suposto complô articulado por adversários políticos, por ele ter sido cotado para candidato a vice na chapa do atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), nas eleições deste ano. 

Fonte: Bem Paraná.