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Irã responderá a ameaças na hora certa, alerta líder supremo

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta sexta-feira que o país persa responderá a todas as ameaças militares ou petroleiras com seus próprios meios.

"As ameaças se transformarão em desvantagens. Ante as ameaças de guerra e as ameaças petroleiras, nós também temos nossas próprias ameaças, que serão aplicadas no momento adequado, se for necessário", alertou.

As declarações chegam um dia depois de o secretário americano da Defesa, Leon Panetta, avaliar que há uma "forte probabilidade" de que Israel realize uma intervenção militar na primavera contra instalações nucleares do Irã.

Nações ocidentais e Israel suspeitam que o Irã está tentando desenvolver armas nucleares e já aplicaram diversas sanções econômicas e comerciais visando pressionar o país a desistir de seu programa de enriquecimento de urânio.

Khamenei afirmou ainda nesta sexta-feira que as ameaças dos Estados Unidos são sinais da fraqueza americana diante do discurso iraniano que, segundo ele, demonstra ser mais coerente. "É por isso que os EUA se voltam ao uso da força", defendeu.

"A ameaça de guerra desfavorece os próprios americanos. A guerra seria dez vezes mais contra o interesse dos próprios EUA", afirmou o líder supremo.

PRESSÃO

Nações ocidentais suspeitam que o Irã está tentando desenvolver armas nucleares, depois de a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) divulgar um relatório sobre as atividades do programa persa em novembro do ano passado.

Teerã se defende, dizendo que o relatório era baseado em informações falsas de órgãos de inteligência ocidentais e que o programa é inteiramente pacífico. Segundo o Irã, os resultados serão usados na produção de energia e tratamentos médicos.

O último relatório da AIEA fez com que Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e outros países da UE (União Europeia) aumentassem as sanções econômicas contra o Irã.

O Irã vem respondendo às punições com ameaças à navegação internacional que assustaram o mercado de petróleo.

AMEAÇAS

Israel, que vê a possibilidade de que o Irã se torne uma potência nuclear como uma "ameaça existencial", semeia as dúvidas sobre a eventualidade de fazer ataques contra instalações nucleares iranianas.

Segundo o jornal norte-americano "Washington Post", o chefe do Pentágono considera que ataques israelenses podem ocorrer em abril, maio ou junho, antes de que o Irã entre em uma "zona de imunidade" e comece a construir uma bomba nuclear.

Os EUA, que esperam que as sanções contra o Irã funcionem, continuam privilegiando a ação diplomática para convencer o país a abandonar seu controverso programa nuclear. Um grupo bipartidário do Congresso, porém, já defende que os americanos deveriam tomar ações mais concretas para deixar clara uma ameaça de ataque militar ao Irã.

Há poucos indícios de que o presidente dos EUA, Barack Obama, tenha interesse significativo em um ataque militar ao Irã, embora seu governo tenha repetidamente enfatizado que todas as opções estão sobre a mesa.

Fonte: Folha.